Minha doce Juliana, em momentos extremamente descontraidos, com sua amiga aniversariante Julia Chade e outros amigos.
-2007-
O menino se aproximou, cabisbaixo,sem dizer uma palavra.
Parou,permaneceu em pé por alguns segundos, o olhar continuava baixo.
Limitei-me em observá-lo. Fiz tudo que tinha que fazer até o momento de iniciar o trabalho,que naquele dia, era mais como conhecimento da turma.
Não demorou e perguntei se iria participar das atividades ,explicando que teria uma sequência.
Levantou o olhar e muito sério disse não falar com estranhos.
Não me lembro de ter ouvido isso um dia, e automaticamente nada soou bacana.
Acho que até fiquei assustada. Nenhuma reação me envolveu nos instantes seguintes.
Numa outra tentativa de aproximação, bruscamente o menino se afastou e como a querer esclarecer os fatos, disse não gostar de estranhos.Pude ouvir ainda algumas palavras soltas, como a resmungar, com o olhar, agora já não mais para baixo, porém sisudo.
O menino vem correndo na direção do carro onde estou, com um largo sorriso nos lábios.
Ele vem de chinelos nos pés,e lança um olhar completamente diferente. É um segundo encontro nosso, depois de seis dias sem nos vermos.
Acanhado ainda, já faz parte do grupo.
Mais uma semana se passa e eis que sinto um aperto de mãos.Olho e encontro as mãozinhas magras do menino, que com o olhar já completamente diferente me sorri como a dizer bom dia.
Se mistura com os outros como se fizesse realmente parte dessa familia arteira.
E no final da brincadeira, ele já é diferente. Corre atrás do carro, como se quisesse me segurar naquele local.
Volto o olhar e o encontro acenando e nesse momento seu olhar anseia por minha volta.
Já não somos mais estranhos.
Seu nome é Jessé.
( por Rosi Ribeiro).
Euforia.
Meu coração estava acelerado, quando abri os olhos, assustada.
Mal conseguia saber onde tinha colocado o aparelho celular para que pudesse olhar a hora.Achei. Ainda tinha muito tempo, me vesti rapidamente e sai eufórica.
Tudo estava muito claro em minha mente, sabia que nada ia dar errado,afinal não era uma criança que estava para chegar.
Estacionei meu carro, controlando o ímpeto de sair correndo rumo a plataforma de desembarque. Me fiz de tranquila.Respirei fundo. Com passos apressados e apertados, cheguei à luz de um terminal, que estava praticamente vazio. Desci as escadas e olhando para todos os lados, me acomodei numa poltrona totalmente desconfortável.
Não demorou mais que uma hora e ouvi o ruido do motor encostando à plataforma.
Era esse. Chequei o número que minha mãe passara na madrugada, dizendo estar preocupada com o erro de desembarque ,que iria acontecer pela primeira vez em seis anos, num outro terminal, de uma outra cidade.
Passado o susto, a euforia tomou conta quando logo avistei seu rosto, que aparentemente estava tranquilo.
Abraços mil, falas aos montes e eis que pude perceber mais uma vez o quanto é grande o amor entre mãe e filha.
( por Rosi Ribeiro).