O menino se aproximou, cabisbaixo,sem dizer uma palavra.
Parou,permaneceu em pé por alguns segundos, o olhar continuava baixo.
Limitei-me em observá-lo. Fiz tudo que tinha que fazer até o momento de iniciar o trabalho,que naquele dia, era mais como conhecimento da turma.
Não demorou e perguntei se iria participar das atividades ,explicando que teria uma sequência.
Levantou o olhar e muito sério disse não falar com estranhos.
Não me lembro de ter ouvido isso um dia, e automaticamente nada soou bacana.
Acho que até fiquei assustada. Nenhuma reação me envolveu nos instantes seguintes.
Numa outra tentativa de aproximação, bruscamente o menino se afastou e como a querer esclarecer os fatos, disse não gostar de estranhos.Pude ouvir ainda algumas palavras soltas, como a resmungar, com o olhar, agora já não mais para baixo, porém sisudo.
O menino vem correndo na direção do carro onde estou, com um largo sorriso nos lábios.
Ele vem de chinelos nos pés,e lança um olhar completamente diferente. É um segundo encontro nosso, depois de seis dias sem nos vermos.
Acanhado ainda, já faz parte do grupo.
Mais uma semana se passa e eis que sinto um aperto de mãos.Olho e encontro as mãozinhas magras do menino, que com o olhar já completamente diferente me sorri como a dizer bom dia.
Se mistura com os outros como se fizesse realmente parte dessa familia arteira.
E no final da brincadeira, ele já é diferente. Corre atrás do carro, como se quisesse me segurar naquele local.
Volto o olhar e o encontro acenando e nesse momento seu olhar anseia por minha volta.
Já não somos mais estranhos.
Seu nome é Jessé.
( por Rosi Ribeiro).
Saturday, May 20, 2006
Eu e o menino

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